sábado, 24 de abril de 2010

SAUDADE


O autor volta ao passado, lembrando-se do seu tempo de criança e alertando o leitor para a realidade e as conseqüências trazidas por aqueles que não preservam a floresta.


Navegando pela Internet
Busquei o canto dos passaros
Depois de ouvir alguns
Murmurei falando baixo
O que saudade eu sinto
Do meu tempo de criança
Parece que vejo as saracuras
No igapó numa festança

E no outro lado do açude
Numa noite de luar
Perto do canavial
Ouço a aracuã a cantar
E deitado em minha rede
Fico a imaginar
Se estão na pitombeira
Ou no pé de ingá

O caburé da seu grito
A mãe da lua também
A peitica assobia
Um pouco mais além
O dia já vem raiando
No mais lindo desempenho
E o papai nos chamando
Para trabalha no engenho

E debaixo da alvorada
Do gado e dos passarinhos
Do galo com as galinhas
Tomo café com farinha
Ouvindo o sabiá
Lá no pé de goiabeira
Perto do pé de cuieira
Onde gosto de brincar

O calá com o leão
O ferrugem e o pilá
Saem numa latideira
Pensando que vão caçar
Mais o dia e de moagem
Não podemos vacilar
A não ser se o ferrugem
Um tatu gordo encontrar

Os bezerros no curral
Já começam a berrar
É o papai peando a vaca
Para o leite tirar
E na parte baixa do engenho
Do lado da gamela
Meu irmão parte o lenho
Pra na fornalha jogar

A garapa esta doce
Assim o mel vai ficar
A rapadura e macia
E eu quero saborear
Minha irmã faz alfinim
E eu olho no caminho
Vejo os trabalhadores indo
Ao canavial trabalhar

Joguei lenha na fornalha
O alambique aqueceu
A serpentina esquentou
É a cachaça "cristalina"
Que o papai batizou
Que vai sair na torneira
Pra encher uma frasqueira
Um carote e um tambor

Os animais entrelhados
Pronto pra cambitar cana
Saem todos apressados
Pois e final de semana
Amanhã cedo o papai
Na BR pega o "Bragança"
E lá no "47"
Desembarca sem tardança

Ao vender tudo, sem sobra
Vai à banca da dada
Pra comer uma tapioca
E depois de bater um papo
Com seu compadre bibi
Vai pra beira da estrada
E as duas horas da tarde
Retorna no "Gurupi"

Do meu pé de coité
Eu ouço o capelão
Rugindo lá na floresta
Bem no meio do verdão
E as araras pousando
Na mais alta árvore além
Fazendo uma algazarra
E os papagaios também

Mais a noite se aproxima
E eu vou até a cacimba
No intuito de banhar
Trago tudo na lembrança
E paro pra pensar
Como ainda sou menino
Saio pra casa sentindo
uma vontade de voar

Caros leitores eu quis
Em poucas palavras narrar
Um tempo que eu vivi
Que sei que não vai voltar
Mais a lembrança e boa
Feliz quem tem pra contar
Mais quero lhe avisar
Não vá se assustar

O cenário da história
Não e mais belo assim
Acabaram com a floresta
Transformaram em capim
Não respeitaram os rios
Foi tudo ficando assim
Onde tinha muita paca
Hoje só tem guaxinim

Mais ouvindo as noticias
De nivél mundial
Sobre o aquecimento global
E as suas conseqüências
Que a terra pede clemência
Agoniza e sente dor
Trazendo a umanidade
Catástrofe e horror

Sinto uma esperança
Pelo que se comentou
E imaginando eu vou
Que alguém das autoridades
Parece que acordou
E antes que seja tarde
Vamos salvar uma parte
Do planeta que restou
FIM

Autor: JOÃO BATISTA MENEZES NASCIMENTO
O mesmo é autor do livro, história do inicio da ass. de Deus no brasil em literatura de cordel.

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